Situada numa zona densamente urbanizada, a apenas um quilómetro de Viana do Castelo, a Casa do Ameal surpreende pela sua oferta de muito sossego, revelando-se um verdadeiro refúgio para os visitantes. A surpresa dá-se, sobretudo, porque a casa se encontra envolta por belos e cuidados jardins rodeados por uma densa sebe de cedros que protege toda a propriedade do bulício exterior.
Atravessando o portão de entrada, os hóspedes encontram um pátio ajardinado dominado por um tanque de pedra, construído após um incêndio que danificou a casa e cuja gravidade se deveu à inexistência de água nas proximidades. A casa propriamente dita foi construída no século XVI, mantendo ainda grande parte da traça original. Esta nobre casa minhota, pertença da família Faria de Araújo desde o século XVII, foi adquirida por Pedro Gomes d'Abreu a 20 de Fevereiro de 1669 e é um verdadeiro depositário das proezas de ilustres antepassados da família Faria de Araújo. E hoje sua proprietária uma descendente da família, Maria Elisa C. P. de Magalhães Faria de Araújo, que cuidou de manter a casa, adaptando-a para as necessidades turísticas.
A Casa do Ameal guarda uma mostra museológica de objectos e trajes regionais, artesanato e fatos antigos, a que não foi estranho o toque feminino das donas da casa, e, no exterior, um jardim bem cuidado, que conserva alguns recantos tranquilos. A oferta de alojamento inclui dois quartos com casa de banho, além de duas salas de estar e de uma sala, cheia de luz, onde são servidos os pequenos-almoços. A direita do edifício principal, nas antigas dependências agrícolas e em volta de um jardim com piscina, ficam os apartamentos - para quatro ou para duas pessoas , todos com entrada independente.
António d' Abreu de Lima, distinto elemento da Armada das Indias onde desempenhou, por volta de 1548, os cargos de escrivão da Casa dos Contos e de Contador de Contos. Era descendente da antiquíssima Casa dos Abreus de Regalados. Também tomava o nome de António d' Abreu de Olivença, resultando tal alteração de apelido devido ao facto, de muito provavelmente, Olivença ter sido a terra onde viveu.
Casou duas vezes. De um primeiro casamento não resultou descendência directa. Mas mais frutuosos foram os seus amores no Minho, onde se enamorou com uma vianesa e com quem acabaria por casar. Desta relação com D. Brites Velho Barreto nasceram vários filhos e cresceu o poderio patrimonial com diversos bens espalhados pela vila de Viana, tais como o padroado da igreja de Perre. Foram motivos, mais que suficientes, para fixar a esta terra D. António.
Mas o mar sempre chamou os descendentes desta família. A India foi destino para Pedro, o filho mais velho. Neste chamamento seguiram-se-lhe os irmãos António, Fernão e Miguel. Combates em Tânger e na India marcam o destino destes irmãos que lá ficaram para sempre, tendo mesmo Miguel chegado até embaixador junto do Xá da Pérsia. A carreira religiosa toca também a dois outros irmãos: um é abade em Perre e outra professora no convento de Sant' Ana em Viana. Leonel é o sétimo irmão e fica então sucessor do pai. Em 1579 torna-se senhor da Quinta de Atães e de todos outros haveres.
Leonel Abreu e Lima casou com D. Maria Carneiro. As terras indianas e a vida conventual são também destino de cinco dos seus filhos deste casal. Três rumam até à India, sem que Pedro consiga atingir o lugar para onde se dirigia devido ao naufrágio do galeão onde viajava. As duas irmãs fazem-se freiras, uma em Braga - D. Brites e outra em Viana - D. Maria. É o primogénito, António de Lima de Abreu quem assume a posse do Paço de Atães e de todos os outros bens da família. D. Joana de Melo Alvim, também vianense de nascimento, torna-se esposa de António. Nasce um filho que tomaria o nome do Avô. Este foi o fundador da capela da Nossa Senhora do Bom Despacho no claustro da Misericórdia.
Ana Carmena era uma viúva que em 1639 voltou a casar-se. Desta vez as suas preferências amorosas inclinaram-se para Leonel de Lima e Abreu. Do casamento não houve descendência, mas já Leonel tinha andado a partilhar o coração por outras bandas e em consequência apareceram quatro filhos. Dois pereceriam em combate na Flandres, ao serviço dos Filipes. João Lima de Abreu e Pedro Gomes d' Abreu, assim se chamavam os outros dois, residindo o primeiro no sítio da Bessa, enquanto o segundo, foi até Perre exercer Abadia, cabendo-lhe então o senhorio da Quinta de Atães. Seria este último quem compraria a casa e quinta do Ameal ao seu proprietário Maximo Barbosa Pinto, da família dos Barbosa de Aranha. A escritura da compra data de 1669 tendo o seu valor atingido os três mil e quinhentos cruzados. Passados alguns anos, António de Lima Abreu recebeu de herança das mãos do abade de Perre a posse de todos os bens deste.
Exímio na maneira como cuidou das propriedades, que entretanto tinha assumido a titularidade, a sua descendência é fruto de dois casamentos. Um primeiro com Adelaide Portocarrero do qual resultou uma filha. Vários foram os descendentes da segunda união com D. Maria Melo e Lima. As afinidades comportamentais de António com os antepassados são também evidentes na postura de heróico combatente na Guerra da Aclamação.
Durante aproximadamente um século a pacatez rodeia a vivência desta família, sem que algo de significativo tivesse acontecido na ligação da família à Casa do Ameal. É o trineto de António de Lima e Abreu - Leonel de Abreu e Lima, moço fidalgo da Casa Real e capitão dos voluntários Realistas de Viana. Este contrariou a tradicional aproximação dos antepassados às senhoras do tempo, não se casando. Por isso lega ao afilhado e parente - Dr. Leonel Emílio Pereira de Magalhães, o Paço de Atães. A Torre de Refoios, entretanto herdada de Maria Antónia Malheiro Macedo Portugal, ao seu advogado e amigo Dr. António de Magalhães Barros de Araújo Queiroz que por sua vez era primo da anterior proprietária. A Casa do Ameal é dada por Leonel de Abreu e Lima, conjuntamente com outos bens às suas quatro irmãs. Não tendo estas sucessão a última a morrer institui herdeiro de todos os bens João Pereira de Faria Araújo, pai do capitão Jacinto Pereira de Magalhães Faria de Araújo, já falecido cuja famíla reside hoje neste esplêndido solar mirando a foz do Lima.
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